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Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

B.I da Lampreia-marinha

 

Figura 1Lampreia-marinha adulta, apresentando a típica coloração amarelada associada ao meio dulciaquícola. a) Modo de fixação da lampreia-marinha a superfícies, como uma pedra. b) Detalhe do disco oral onde é possível observar as séries radiais de dentes. Fotografias de Breck P. Kent.

 

Nome comum: Lampreia-marinha, Lampreia

 

Nome científico: Petromyzon marinus (Linnaeus, 1758)

 

Hábitos e Habitat: A Família Petromyzontidae possui 34 espécies diferentes de lampreias, incluindo a Lampreia-marinha - Petromyzon marinus (Linnaeus, 1758).  

 

As lampreias são espécies muito antigas, pois a descoberta do fóssil mais antigo de uma espécie de lampreia por Robert Gess, data de há 360 milhões de anos atrás. As lampreias actuais, como a lampreia-marinha, ainda são muito semelhantes à desse fóssil, o que torna estes animais autênticos fósseis vivos.

 

As lampreias são seres vivos muito especiais, com características bastante diferentes dos restantes peixes. De facto, são tão diferentes, que nem são consideradas verdadeiros peixes por vários cientistas e investigadores a nível mundial. Algumas dessas características são: 1) não possuem mandíbulas; 2) não possuem barbatanas pares, somente ímpares; 3) não possuem escamas; 4) o seu esqueleto é formado por cartilagem; 5) apresentam 7 orifícios branquiais de cada lado do corpo, em vez da câmara branquial comum nos peixes ósseos.

 

As lampreias podem ocorrer no meio marinho – oceano - e no meio dulciaquícola – rios, ribeiras, riachos, entre outros. A lampreia-marinha ocorre no Atlântico Nordeste, incluindo a Noruega e

Mar de Barents até ao Norte de África; no Mediterrâneo Ocidental (Oeste); e Atlântico Oeste desde o Labrador até à Flórida e costa do Golfo do México. Em Portugal ocorre em todas as principais bacias hidrográficas, sendo mais abundante a norte da bacia hidrográfica do Rio Sado.

 

A lampreia-marinha é um migrador que vive no mar, e depende do livre acesso aos rios para se reproduzir – designa-se por isso de migrador anádromo. No Inverno - a partir do mês de Dezembro - as lampreias-marinhas ainda de coloração azulada e prateada, deixam as profundezas do mar e começam a entrar nos estuários durante a noite. Machos e fêmeas preparam-se e adaptam-se para a marcha nocturna de subir os rios, deixando inclusivamente, de se alimentar. Sobem os rios a uma velocidade de cerca de 1,5 km/h até chegarem ao local do rio que procuravam, o melhor para construírem um ninho – locais de água corrente pouco profundos, com pedras, cascalho e areia. Chegados ao local desejado, já possuem uma coloração amarelada, e começam de imediato a mover e empilhar pedras, a revolver o areão, e a escavar a areia ondulando o corpo, até o ninho ficar com uma forma oval. Após a construção do ninho, macho e fêmea entrelaçam-se, fixos a uma pedra. A fêmea liberta cerca de 60,000 pequenos ovos, com cerca de 1mm de diâmetro, que são fecundados pelo macho. O casal morre após a postura.

 

Após 2 a 4 semanas, dependendo da temperatura da água – em Portugal, decorridos 10 a 20 dias - os ovos eclodem e deles saem pequenas larvas de lampreia, chamadas amocetes. Cegos, pequenos e frágeis, os amocetes enterram-se nos locais do rio onde o substrato é constituído por areia. Ficam assim enterrados nos sedimentos dos rios durante 3 a 7 anos – em Portugal, 4 a 5 anos – alimentando-se por filtração de partículas, detritos e microalgas em suspensão na água. Quando os amocetes chegam ao comprimento de 15-20 cm, ocorre a metamorfose, e tem início a migração alimentar para o mar, procurando condições de substrato e alimento que lhes sejam favoráveis. Com a metamorfose, as jovens lampreias apresentam um disco oral, munido de numerosos dentes, formando 23 séries radiais, desde o centro até ao bordo. Esse mesmo bordo do disco oral é franjado, apresentando numerosas vilosidades para melhor aderência a superfícies. Estão assim preparadas para deixar de se alimentar por filtração, tornando-se parasitas de peixes, alimentando-se de sangue e tecidos dos hospedeiros, segregando um anticoagulante.

 

O período de vida marinha terá a duração de 2 a 3 anos, após o qual, as lampreias-marinhas adultas procurarão os rios para desovar, e completar o seu ciclo de vida.

 

Ana Caramujo Marcelino Canas

Bióloga Marinha do Fluviário de Mora

 

Educação – Falas do Rio

Fluviário de Mora

www.fluviariomora.pt

 

Bibliografia consultada

 

Almaça, C. 1996. Peixes dos Rios de Portugal. Colecção Portugal Vivo. Edições INAPA, S. A. Lisboa. 129p.

 

Weber, M.; Ferreira, A.; Santos, A. 2007. Descobrir o Rio e as Albufeiras. Edições Afrontamento. 210p.

 

Rogado, L. Peixes do Parque Natural do Vale do Guadiana. ICN. Parque Natural do Vale do Guadiana. 127p.

 

Webgrafia

http://www.icnb.pt/propfinal/_Vol.%20II-Valores%20Naturais/Fichas%20de%20caracteriza%C3%A7%C3%A3o%20ecol%C3%B3gica%20e%20de%20gest%C3%A3o/Fauna/Peixes/Petromizon%20marinus.pdf

 

http://www.fluviatilis.com/dgf/species.cfm?codspecies=pmar

 

http://www.iucnredlist.org/apps/redlist/details/16781/0

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lampreia

 

http://www.scienceinafrica.co.za/2007/february/lamprey.htm

 

http://www.fluviariomora.pt/exposicao/exposicao_temporaria/migradores-anadromos-de-portugal

 

http://books.google.pt/books?id=fVZHbQ7eJLQC&pg=PA63&lpg=PA63&dq=petromyzontidae+34+species&source=bl&ots=B0HzRdQHtE&sig=hg7GrPynPB1TLdsyLQRVNOYgqNo&hl=pt-PT&ei=q9SgTPvpDcaR4ga62fCXDQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=3&ved=0CCkQ6AEwAg#v=onepage&q=petromyzontidae%2034%20species&f=false

 

Fotografias

http://www.arkive.org/sea-lamprey/petromyzon-marinus/image-A5112.html

http://www.arkive.org/sea-lamprey/petromyzon-marinus/image-A5123.html

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publicado por verdinho_naturezabrincalhona às 16:58
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